11 de novembro de 2009

Poema inacabado

Bem, uma postagem por mês é quase bom para quem não tem escrito muito.
Minha produção poética anda em baixa e, coincidentemente, estou com várias idéias para escrever prosa. Há pouquíssimo tempo atrás isso era impensável pra' mim.

Eu sou meio atrasada virtualmente e só ontem resolvi criar uma conta no Twitter. É interessante, embora eu ainda não saiba usar direito. Aos twitteiros de plantão, o endereço é twitter.com/datilografia .

Poema Inacabado

O meu amor é daqueles não definidos
Isso para amor é qualidade
Tudo que é definido
É limitado.
Meu amor é como pena voando no papel
A pena quando vai pro papel não voa
Voa mais do que deveria
Meu amor é vento no rosto
É brinquedo novo de criança nova
É cheiro de mato na viagem
É canção bonita em Dm.
E apesar de tudo isso
Para minha ironia
Não consegui até agora
Definir o meu amor
Ainda bem
Isso para amor é qualidade.

2 de outubro de 2009

Vivem os homens às Artes

Após um longo hiato de postagens devido, principalmente, a minha falta de tempo quando morava na Europa, resolvi recomeçar. Para me dar ânimo, fiz um novo layout para o blog. Eu gostava da antiga aparência monocromática, mas estou atualmente em um estado de alma colorido com tons pastéis e estou bem assim.

Vou postar um poema meu bastante antigo mas acho que se relaciona com a minha atual fase poética. Ando com a necessidade de excesso musical nos meus últimos escritos e já há algum tempo não consigo escrever poemas sem aliterações. Acho que li Cesário Verde em demasia quando estive em Portugal...

Ainda bem.


Vivem os Homens às Artes


Às artes, mais que aos homens, cabem
Respeito ao trabalhar-lhe e Amor no fazer
Pois amor é necessário para se ter
E respeito é necessário com que se tem

Ela exige respeito
Pois possui leis próprias
Que até mesmo desconheço
Mas que, cego, obedeço
Ao tentar contar as histórias
Que lhes são de direito

Não tento fazê-la
Pois já está feito
Tudo aquilo outro
Que no mundo existe
Mas a idéia que persiste
É de transformar em ouro
Todo o bruto conceito
Que insiste em sê-la

Peço somente que me agracie
Que me ceda uma pouca infinitude
Própria, única e sua
Para poder dizer que me pertence
Aquela extensão que me cabe
Mesmo quando se sabe
Que, ao menos, pretende-se
Somente vê-la seminua
Sem minha interferência a amiúde
Para que alguém a aprecie

Dou a ela o que já tem
E que me retribui de bom grado
Pois o que me pede
Além de respeito,
É que em toda minha sede
Não seja eu desatinado
E só use as notas que convém.

Como todo o resto das coisas
Ela só faz questão daquela uma,
E se tudo busca harmonia
Porque então com ele haveria
De ser outra coisa importuna?

Seu equilíbrio então transmuta
No bailar de seus acordes
Baila a pena e a batuta

Vivem os homens à poesia e à música.

25 de março de 2009

Desistente

Meu primeiro post após pisar em solo Europeu. Cá estou, atordoada de novidades, desesperada por conhecer tudo e extremamente cansada. Não faz mal.


Hoje, depois de uma conversa com caríssimos brasileños que também estão vivendo em Lisboa, fiquei pensando se não seria melhor chamar o blog de "Dactilografia". Depois do Acordo Ortográfico essa grafia parece um preciosismo e eu gosto disso.

O poema é antigo, melancólico e não se relaciona com meu atual estado de espírito, mas andei lembrada dele. Depois escrevo outro texto menos desacreditado para não pensarem que ando com tendências suicidas em Portugal.

Desistente

A ânsia bate a porta
Tenho nojo
Não mais de mim mas,
do que me tornei.
Preferia a normalidade
Ser alheia
E não ver as coisas
Como elas realmente
Pensam que são.
Dos outros tenho pena
E a pena
É sempre a inveja em ser,exatamente,
Tão pequeno quanto.
Queria eu ser contente
E não atenta
E perceber nas minúcias
Que não há nada ali para ser reparado.
Queria sentir a falta daquele que partiu
Chorar de saudade
E pensar ser completa com sentimentos medianos.
Acima de tudo,
queria ter raiva.
Eu só tenho sonhos,
Apesar
E uma mente pueril, maculada
por mais que nova, já cansada
E dos sentidos,
Desistente.

4 de fevereiro de 2009

Fogo de Penitência

Poema escrito em 2006. Uma das minhas primeiras tentativas de fazer um texto que dialogasse com Fernando Pessoa. Ao ler recentemente o ótimo texto da amiga e escritora Ana Helena , lembrei-me que havia um dia escrito uma conversa em versos com o professor e que este diálogo devia estar perdido pelos meus arquivos antigos. Um dia devo reformulá-lo, mas deixo aqui o texto tal como foi escrito no meu primeiro ano de faculdade.


Fogo de Penitência


Toda a poesia malfeita se esvairece
A exorcizo em pira inquiridora
E no contorcer de suas chamas brancas,
Se internaliza até chegar ao átomo.

Todas as fogueiras não queimadas
Queimam no amassar do papel
Me atentam agora os sentidos e ouço claramente
No ranger da folha, o carbonizar da lenha

Se alguma Pessoa acha chuva na escrita
Eu afirmo que houve fogo anterior
A própria chuva que não chovia
E então meus olhos descobrem:

A água que cai e leva
Por vezes flui como nascente calma
Por outras, seu rebento lembra maré revolta
Que revolve cada gota e arrasta de volta ao nada.

Meu rosto sua ao segurar o grafite.
Há o medo de que as palavras sejam elas
E não que elas sejam as que queria eu que fossem
E tenham vida, gosto e não me obedeçam.

Toda palavra carrega o mal de ser minha
E eu carrego o dom de ser para elas
E eu as descarrego em fúria sobre a pauta
E elas me carregam até onde eu nunca chegaria sozinha.

Malditos os poetas que me deixaram ter rebanhos
Pois levo comigo a certeza de que há, em mim, um campo de girassóis
E por isso sofro:
Não consigo olhar para todos os lados.

Garanto porém, que se eu conseguisse,
Não estaria cá agora sonhando em poesia
Pois assim perderia tempo
Em sentir as relvas todas do mundo nas minhas mãos

Mas deixem descansar as relvas
Aprendi que só penso que seja maravilhoso tocá-las
Porque nunca em minha vida
Tive a oportunidade de deitar-me sobre elas.

Porém a água abrandou o incêndio
E a cada momento ela se faz mais intensa
E agora sei que é inútil acender fogueiras
Quando a chuva insiste em mostrar que só faz chover

Concluo que o poeta é iluminado pela chuva
E que o sol é o que evapora as coisas do mundo
Deixando-as claras diante dos olhos
Para que elas se reafirmem nos poemas

E que se tudo é nebuloso
Nuvens, idéias, pessoas
Espera pacientemente pelo vento
Que um dia fará derramar em ti.

Malditos os poetas que me levaram a bailes de máscaras
Pois descubro que nunca mais verei almas
E coloco agora a veste que tentaram me tirar Eles mesmos
E espero frente ao espelho branco ver-me nua uma vez

Intuo porém, que caso visse
Ao me deparar com a minha desgraça
Queimaria tal espelho por desgosto
E voltaria à dança por vergonha

Mas deixem bailar o corpo
O corpo de baile, o corpo da bailarina
Pois estes são mais agradáveis de observar
Já que os olhos são cegos para ver.

Então vou-me, vai-se e segue o dia
Como aquele que espera a noite
Cansado por entardecer
No crepúsculo dos anos que se passam

Sinto-me agora como dia que amanhece azul
Daqueles de palidez celeste
Que desponta após a tempestade
E se ilumina como se fosse uma coisa só

E não será mais necessário
Fazer fogo de penitência
Culpando as palavras mal escolhidas
Por um erro que é meu

E na dificuldade de expressar a integridade
Se afirmo que a mim pertence o erro
Ao menos confirmo
Que elas [ainda] são minhas

Então eis que na sensação de escrever o que me guardava
Transbordo os meus nimbus em mim, para mim
E afirmo sem medo:
Eu chovo.

21 de dezembro de 2008

Fugidias

Antes de publicar o poema, quero contar a minha vontade de gritar ao mundo. É a segunda boa notícia que posto aqui. Tomara que permaneça desta forma.

Recebi uma carta ontem que me fez chorar de alegria.. um sonho se realizou: Vou para Portugal estudar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Vou morar sozinha em um país desconhecido, mas o que importa? Vou estudar na mesma Faculdade que estudou Fernando Pessoa e vou cursar a disciplina "Estudos pessoanos" só para entender melhor o bigode. Estou nas nuvens, absolutamente. Quero mesmo estar nelas em fevereiro, quando vou voar para minha nova morada...

Fugidias

Todas as palavras
implodem
Seguras,
no limiar da vontade
Escandalando dentro
por contenção.
Querem eclodir
Não podem
Há vergonha e
orgulho.
Ficam suspensas no vértice
Quase fugidias no ápice
Depois se agarram ao pretérito
Passa o momento
Ninguém saiu.

19 de novembro de 2008

Sê frágil

Pura pobreza poética. Desabafo com a anomalia do verso mas, desabafo meu. Confesso que queria não ter o vício de escrever no papel para poupar a vergonha de não ter os manuscritos já transferidos para o computador.



Sê frágil

Da condição humana
Talvez a única que seja
realmente digna e sincera

Mostrar forças desgasta e consome
Quebra tua casca mentirosa
Hipócrita!
Mostra que chora!
Que teme!
Que isto significa tudo
E nada é a tua inércia
incapacidade
falta de ousadia
Que não diz que ama pois,
Tu, alma desperdiçada,
Não vales a pena.
O outro merece toda lágrima
tristeza, morte lenta
Porque te rejeita
e é capaz disso.

Sê digno da doença que é tua
E descanse em caos.

30 de outubro de 2008

Encontros Fortuitos

Querido amigos que aqui me visitam,

Tenho o prazer muito grande de compartilhar com vocês uma experiência inédita e maravilhosa.

Meu conto "Encontros Fortuitos" ficou em 8º lugar geral no 19º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, recebendo Menção Honrosa pela Banca Examinadora e será publicado em uma coletânea de novos contistas brasileiros.

Esse concurso foi o primeiro em que me inscrevi e, sinceramente, não esperava nenhuma premiação. Ter garantido essa publicação logo de cara me dá muito ânimo para continuar escrevendo e enviando meus trabalhos para o conhecimento de terceiros.

Este conto foi escrito, na verdade, como trabalho final da disciplina Literatura Portuguesa IV quando eu tinha 19 anos e estava no quarto período da faculdade. Tem 7 páginas e trata de uma prostituta que se vendeu a todos os heterônimos de Fernando Pessoa. Tinha que ser, aquele Bigode ali em cima sempre me dá sorte.

Poderia publicar o Conto aqui mas, como quero que vocês comprem o livro, não o farei.
Também não postarei nenhum poeminha hoje... estou feliz demais para os versos melancólicos salvos no meu HD.

Agradeço sinceramente a todos que me leem.

Um beijão,
Gabi.

24 de outubro de 2008

Poesia em cinco minutos

A inconstância.. mal se começa a Datilografar e já se abandona a tarefa. Queria mostrar isto aos outros para que me lessem. Penso e me canso. Preguiça de me expor, preguiça de ser julgada, preguiça de me compartilhar. Estou online, eu sei mas, vinde a mim os Internautas que eu vou Argonauteando por aí...


Poesia em cinco minutos

A ilusão do saber
A consciência dos sonhos
A lucidez dos delírios
A loucura submersa da razão
A trama dos vapores
A conjuntura das areias
Todo o resto não.
E sê nada.
Além disso.

6 de outubro de 2008

Personal Development

Fiz esse poema originalmente em inglês e resolvi traduzir.
Sem sucesso na minha tentativa, resolvi publicar em inglês mesmo.

Personal Development

Reaching what is beyond
being the over
Winding rarely
Breathing Silently
Standing on my own
Laying my soul
Renting my body
for astral influences
Look carefully
It is an aural minute.
The spirit has no frameworks.

1 de outubro de 2008

Corpóreo

Fiz para ele, inevitavelmente.

Corpóreo

Nos caminhos tortuosos,
Sinuosos, entorpecentes,
Teu corpo me aflora,
me desvela, me desmente
Nomina minhas taras
Minhas caras, minhas falas
Descobre meu corpo
Meus males, meus medos,
Meus seios, meu pior,
Meu melhor e meus meios.
Ecoa no fundo,
no surdo, no toque
Altéreo e Estático
Penetra e retumba
no brado, no braço,
no grito, no seco.
Beija e transpassa
Transcende, atravessa
O gozo no fim.
O amor. A promessa.